Preciosa Semente © Salmos 126:6
| Frutificar e Testemunhar|
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Em João 13, é nos apresentado o serviço da graça da parte do Senhor a favor de Seu povo, que visa à comunhão – ou “parte” – dos Seus com Ele durante o tempo de Sua ausência, e essa comunhão está ali onde Ele está: na casa do Pai. Em João 14, encontramos o Senhor consolando o nosso coração com a promessa do Espírito Santo. Por meio do Espírito, é possível Cristo estar conosco, porque Ele diz, referindo-Se àquele que guarda os Seus mandamentos: “Eu o amarei e me manifestarei a ele”. A respeito do Pai e de Si mesmo afirma: “Viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14:21,23). Se tivermos parte com Cristo, lá onde Ele está, e Ele tiver parte conosco, aqui onde estamos, isso nos preparará a dar fruto, como nos é apresentado em João 15.

A exposição inicia com o fato de que o Senhor é a videira verdadeira, e o Pai o vinhateiro ou lavrador. Os discípulos são as varas. Para evitar qualquer mal entendido a respeito dessa passagem, convém esclarecer que a figura aqui não apresenta Cristo em Sua função de Cabeça nem os crentes na condição de Corpo, como o faz o apóstolo Paulo em suas epistolas. Quando contemplamos os crentes sob o aspecto de membros do corpo de Cristo, pensamos em seus privilégios celestiais, unidos à Cabeça no céu. Nada que seja falso, não genuíno pode adentrar esse Corpo, e também não pode ser removido dele nenhum de seus membros. Entretanto, quando contemplamos os crentes na condição de discípulos do Senhor, recordamos sua responsabilidade de portar o caráter dEle, para assim representa-Lo neste mundo em Sua ausência. Entre os discípulos, no entanto, é possível haver falsos convertidos, professo, varas mortas que servem apenas para serem queimadas.

Para melhor entendimento do ensino contido nessa passagem, podemos fazer três perguntas:
1. Em que consiste o fruto mencionado pelo Senhor?
2. Quais são os meios empregados pelo Senhor, para que os discípulos possam dar fruto?
3. Qual é o grande propósito em frutificar?

O que o Senhor, então, que dizer com “frutificar”? Poderíamos dizer que fruto é tudo aquilo que agrada a Deus em nossa vida? A principio, sim. No entanto, de tudo que há em nós somente aquilo que refletimos de Cristo pode servir para a alegria do Pai. Por isso, podemos afirmar que “frutificar” significa o discípulo ter o caráter de Cristo espelhado em sua vida. Lemos em Gálatas 5:22: “O fruto do Espírito é: caridade [amor], gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Essas eram as qualidades que caracterizavam a Cristo aqui na terra e constituíam o motivo do prazer do Pai, porque a “voz do céu” dá testemunho: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17; cf. 17:5; Mc 1:11; Lc 3:22). O fruto, portanto, não consiste apenas em pregar e ensinar, nem se refere a qualquer outra atividade. Essa passagem, nem sequer tem relação às almas ganhas para Cristo por meio da pregação. O fruto consiste nas belas características de Cristo apresentadas por meio de tais almas. Infelizmente, é possível ser ativo no serviço cristão e ainda assim manifestar muito pouco do caráter de Cristo na vida diária, resultando, portanto, em pouco fruto para o agrado do Pai.

Levemos ainda em conta que aquilo que chega à presença de Deus como fruto também se manifesta como testemunho aos homens. Esses dois pensamentos estão expressos nas palavras do Senhor: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15:8). A vida que glorifica o Pai e alegra Seu coração dá ao mundo o testemunho de que somos discípulos de Cristo. Essa realidade se faz visível muito mais por um pouco de benignidade e de mansidão que pelas muitas atividades. A confiança tranqüila de Maria no Senhor, que a fez assentar-se aos Seus pés e atentar para as Suas palavras, redundou em fruto, que encontrou reconhecimento especial do Senhor. Nem todos os crentes são chamados a pregar, a ensinar ou a ser ativos em outros serviços, contudo cada um de nós – do mais idoso ao mais jovem – tem a possibilidade de manifestar em sua vida as belas características de Cristo e assim dar fruto para o Pai e ser um testemunho para o mundo. Cristo não está mais pessoalmente na terra, porém Deus deseja que Cristo continue sendo visto moralmente em Seu povo. Quando essa realidade for visível em nossa vida, então haverá fruto e testemunho.

Como esse fruto é produzido na vida dos discípulos de Cristo? Analisemos primeiramente as palavras do Senhor: “Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15:1). O fruto da videira é encontrado nos ramos, e os ramos só poderão ser frutíferos se houver uma ligação viva com a videira. Cristo é a fonte da vida para o crente. O caráter natural, por vezes, pode evidenciar muitas características gentis, mas não chega a espelhar as amáveis características dAquele que esvaziou Se a Si mesmo para servir os outros em amor. Separados de Cristo – a fonte da vida – não poderemos produzir fruto para o Pai. Para que frutifiquemos, precisamos dar “mais fruto” e “muito fruto”. De acordo com as palavras do Senhor, existe algo que o Pai faz, algo que o próprio Senhor faz e algo que nós podemos fazer.

Em primeiro plano, encontramos a ação do Pai, no castigo e na disciplina (Jo 15:2). De acordo com a figura, há varas que não dão fruto. A ligação delas com a videira é uma coisa meramente exterior, uma confissão apenas, mas não há uma ligação real e vital com Cristo. Isso é reconhecível pelo fato de que não dão fruto algum. Tais varas o vinhateiro há de lançar fora. Mais cedo ou mais tarde, Deus manifestará a condição delas, e deixarão de contar como parte do conjunto. Além disso, o Pai também se ocupa com varas que dão fruto, para que dêem mais fruto. A respeito destas o Senhor afirma: “... e limpa toda aquela que dá fruto”. Lemos, na Epistola aos Hebreus, que o Pai nos disciplina “para sermos participantes da sua santidade” (Hb 12:10). As provações que atravessamos, as preocupações no caminho, as doenças que nos sobrevêm, o luto, as humilhações e as ofensas a que somos expostos, um Pai que nos ama permite, para que nos acheguemos mais ao Seu coração e para que em nossos pensamentos, palavras e caminhos Cristo seja cada vez mais percebido. É assim que damos fruto: manifestando visivelmente algo das amáveis características de Cristo.

Em segundo lugar, existe algo que o próprio Senhor faz para que frutifiquemos (Jo 15:3). Ele Se dirige aos discípulos, dizendo: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”. Com isso, Ele quer dizer: “Vocês não fazem parte daqueles que o Pai lança fora, e sim daqueles de quem Ele cuida, porque já estão limpos”. Por meio de Sua Palavra, Jesus lhes havia revelado o Pai. Eles a aceitaram, e a Palavra estabeleceu uma ligação viva com Jesus (compare com Jo 17:8). Da mesma forma, o efeito de Sua palavra se mostra ainda hoje.

Por fim, além do que o Pai realiza em nós e da obra de graça que o Senhor faz a nosso favor, existe a nossa contribuição, a qual há de nos conduzir (Jo 15:4-5). Se desejarmos que a nossa vida se torne uma expressão bela, ainda que fraca, das belezas e do perfume de Cristo, faremos bem em atentar para as palavras do Senhor: “Estai em mim”. O que é mais marcante nessas palavras tantas vezes repetidas no texto? Não englobam elas uma carinhosa e pessoal dependência de Cristo, que há de nos guardar junto dEle e nos fará viver no brilho do sol de Seu amor? É uma grande benção nos ajudarmos e servirmos mutuamente, mas estar ou permanecer em Cristo não significa ser dependente do serviço ou atentar a um servo do Senhor, embora, em certos momento, isso seja correto. Significa, antes, viver na pratica uma ligação vital com Ele e agir na força que procede desse vínculo.

A Esposa, de Cantares, diz: “Desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar” (Ct 2:3). Quando apreciamos essas características amáveis, apresentadas de maneira perfeita em Cristo, nós mesmos passamos a ser caracterizados por aquilo que é doce ao nosso paladar. “Todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3:18 [ERA]).

Atentemos também para estas palavras do Senhor: “Sem mim nada podereis fazer”. É uma verdade que todos nós conhecemos bem, contudo muitas vezes nos esquecemos dela. Precisamos uns dos outros, como nos mostra o texto. Acima de tudo, porém, precisamos de Cristo, porque nós, no que diz respeito ao frutificar, não podemos fazer nada sem Ele ou fora dEle.

Finalmente, o Senhor nos incentiva, apresentando-nos as bênçãos resultantes do frutificar (Jo 15:7 e 8):
1. Se permanecermos em Cristo, e assim evidenciarmos as características de Cristo, teremos a Sua mente, evidenciada em Suas palavras. Espelhando a Sua mente, também podemos orar de maneira que as nossas fracas orações sejam atendidas.
2. No frutificar, glorificaremos ao Pai, porque estamos apresentando o caráter de Cristo, que é a expressão perfeita do Pai.
3. Na condição de portadores das características de Cristo, daremos ao mundo testemunho de que somos discípulos dEle. Seremos neste mundo testemunhas do Homem glorificado na glória. O Senhor não diz: “Se pregardes, sereis meus discípulos”, mas: “Se deres muito fruto” (cf. Jo 15:8). O testemunho para o Senhor é a vida dos discípulos. É um testemunho vivo!

Autor: Hamilton Smith
Extraído da Revista Leituras Cristãs, Volume 44 – Nº3

 

 
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